Por
Ana Luiza Ferraz - Psicóloga (CRP 06/68640)
23/01/2009
Resumo
Artigo que designa ao que é
orientação sexual ou opção sexual. Traz também as
diversas formas de orientação, sempre esclarecendo
todas elas.
Quando uma criança nasce, sua
identidade sexual será reconhecida pelos caracteres
sexuais primários. Se essa criança irá confirmar ou
não sua identidade sexual, dependerá da
complementação de caracteres secundários que são os
testículos nos meninos e ovário nas meninas e também
de um processo mais complexo – o sexo psicológico –
que se desenvolverá com o passar dos anos. Se no
sentido fisiológico, as pessoas podem ter sua
identidade sexual definida a partir da presença de
órgãos sexuais característicos de cada gênero, o
mesmo não ocorre com o sexo psicológico. Pensando
nisso, a sexualidade se apresenta numa escala
variante que vai desde um comportamento extremamente
feminino numa mulher, passando por mulheres pouco
femininas, mulheres masculinizadas até homossexuais
femininas; da mesma forma podemos encontrar homens
pouco masculinos, homens feminilizados e
homossexuais masculinos.
O termo orientação sexual é
considerado mais apropriado do que opção sexual
ou preferência sexual. Mas por quê ? Estudos
recentes realizados dentro da sexualidade mostram
que ainda na infância, a tendência sexual começa a
se desenhar – motivo este o termo opção sexual é
inadequado, uma vez que a tendência sexual começa a
se manifestar mais ou menos aos sete anos de idade.
Neste período a criança ainda não possui uma
capacidade avaliativa e que possamos chamar de
“escolha”. O que geralmente ocorre é que a criança
nesta idade tenta reunir-se às crianças do sexo que
irão se identificar psicologicamente e se este não
estiver de acordo com a fisiologia, ela tende a ser
discriminada pelas outras crianças.
Mas afinal o que é orientação
sexual ? Ela indica o gênero (masculino e feminino)
que uma pessoa se sente preferencialmente atraída
física e/ou emocionalmente. Essa orientação pode
ser: assexual, bissexual, heterossexual, homossexual
ou pansexual. A orientação sexual
não-heterossual foi removida da lista de doenças
mentais nos Estados Unidos em 1973 e do CID
(Classificação Internacional de Doenças) em 1993.
A assexualidade é a orientação
sexual caracterizada pela indiferença à prática
sexual, isto é, a pessoa assexual não sente atração
nem pelo sexo oposto e nem pelo mesmo sexo que o
seu. A assexualidade pode ser classificada como uma
disfunção e não uma orientação sexual. Existe um
desacordo a respeito se a assexualidade é uma
orientação sexual legítima. Algumas pessoas
argumentam que seria um distúrbio de hipoatividade
sexual ou distúrbio da aversão sexual. Outras causas
sugeridas incluem abuso sexual passado, repressão
sexual, problemas hormonais e desenvolvimento tardio
de atração. Muitas pessoas ditas assexuais negam
tais diagnósticos e argumentam que como a
assexualidade não traz angústia, não deveria ser
classificada como um distúrbio.
A bissexualidade se trata da
atração física e emocional por pessoas tanto do
mesmo sexo como do sexo oposto com níveis variantes
de interesse por cada um, e à identidade
correspondente a esta orientação sexual. Portanto,
bissexual sente atração por ambos os sexos,
servindo, portanto de um quase meio-termo entre o
hetero e o homossexual. Uma equipe de psicólogos de
Toronto e Chicago realizaram estudos que serve de
apoio para aqueles que se declaram céticos sobre o
fato da bissexualidade ser um tipo de orientação
distinta e estável. Eles mediram diretamente os
padrões de resposta a estímulos a imagens de homens
e mulheres. Os homens que se diziam bissexuais
mostraram-se muito mais sexualmente excitados diante
de outros homens. As pessoas que afirmam ser
bissexuais são geralmente homossexuais, mas são
ambivalentes sobre sua homossexualidade.
Heterossexualidade refere-se à
atração sexual e/ou romântica entre pessoas de sexos
opostos, e é considerada a mais comum orientação
sexual nos seres humanos. A heterossexualidade tem
sido identificada como “a normal” ou “natural”,
decorrendo diretamente da função biológica
relacionada com o instinto reprodutor sendo tudo o
resto “anormal” ou “anti-natura”.
Pansexualidade
é a orientação sexual, distinta da bissexualidade e
caracterizada por atração estética, amor romântico e
o desejo sexual por qualquer um, incluindo pessoas
que não se encaixam na binária de gênero macho/fêmea
implicado pela atração bissexual. Algumas vezes é
descrito como a capacidade de amar uma pessoa de
forma romântica, independente do gênero. Alguns
pansexuais chegam a afirmar que o gênero e sexo não
tem importância para eles. Algumas pessoas trans e
intersexuais se descrevem como pansexuais, tendo uma
percepção íntima que existem muitos níveis entre o
masculino e o feminino. Contudo isso não deve ser
visto como generalização, já que as pessoas trans
podem se identificar como heteros, bissexuais ou
homos baseado em sua identidade de gênero.
Existem três termos: travesti
transexual e transgênero que as pesquisas e estudos
realizados dentro da sexualidade ainda não têm uma
classificação definitiva.
Travesti era originalmente
alguém que se vestia com roupas do sexo oposto para
se apresentarem em eventos de fundo artísticos. Mas,
essa prática passou a designar o comportamento das
drgg queens e transformistas. Esse termo atualmente
se refere às pessoas que apresentam sua identidade
de gênero oposta ao sexo designado no nascimento,
mas que não almeja se submeter à cirurgia de
resignação sexual que nada mais é do que a mudança
de sexo. As pessoas que se definem travestis podem
se identificar como homossexuais, heterossexuais,
bissexuais ou assexuais.
Transexual
é uma pessoa que possui uma identidade de gênero
oposta ao sexo designado, mas o que difere do
travesti é que o transexual tanto homem quanto
mulher, fazem ou pretendem fazer uma transição do
seu sexo designado no nascimento com o sexo oposto.
A explicação estereotipada é de uma mulher presa em
um corpo masculino ou vice versa. Transexualidade
é um termo entre os comportamentos ou estados que
abrigam o termo transgênero. Entretanto
muitas pessoas da comunidade transexual não se
identificam como transgênero que refere-se a pessoas
cuja expressão de gênero não corresponde ao papel
social atribuído ao gênero designado para elas no
nascimento. Mais recentemente o termo tem sido
utilizado para definir pessoas que estão
constantemente em trânsito entre um gênero e outro.
O prefixo trans significa “além de”, “através de”.
Não existe cientificamente nada que
prove quais são as causas da transexualidade.
Todavia, muitas teorias sugerem que as causas têm
suas raízes na biologia e outros acreditam que as
origens são predominantemente psicológicas. Dentre
as causas psicológicas temos mães superprotetoras e
pais ausentes, pais que almejavam uma criança do
sexo oposto e homossexualidade reprimida.
Em termos de individualidade ou
essência, qualquer ser humano possui o gênero
masculino e o gênero feminino dentro de si. No campo
da sexualidade, temos muito ainda que pesquisar e
estudar e definir realmente o que está por trás
desses desejos sexuais e principalmente da
“variedade” de orientações sexuais. Mas até lá o
importante é que, qualquer que seja a orientação
sexual dessas pessoas, como qualquer outro ser
humano, elas merecem compreensão e são muito mais
que um rótulo e que podem e devem ter uma vida comum
como todos nós. |